quarta-feira, 16 de junho de 2010

Início da Fotografia no Brasil

INÍCIO DA FOTOGRAFIA NO BRASIL
Em 1839, o Diário do Commercio, do Rio de Janeiro, noticia a invenção do DAGUERREÓTIPO (imagens obtidas com um aparelho capaz de as fixar em placas de cobre cobertas com sais de prata), primeiro aparelho a fixar a imagem fotográfica, também o primeiro processo fotográfico reconhecido mundialmente, criado pelo francês LOUIS-JACQUES MANDÉ DAGUERRE (1787-1851). No ano seguinte são feitas as primeiras fotos...

A fotografia chegou no Brasil no dia 16/01/1840, pelas mãos do abade LOUIS COMPTE, capelão de um navio-escola francês (corveta franco-belga L’Orientale) que aportou de passagem pelo Rio de Janeiro.

Ele trouxe a novidade de Paris para a cidade, introduzindo a DAGUERREOTIPIA no país. Realizou 3 demonstrações do funcionamento do processo e apresentou o daguerreótipo ao imperador D. Pedro II. Foi a primeira demonstração no Brasil e na América Latina!

Deve-se imaginar quanto seria enriquecedor se pudéssemos conhecer o que teriam dito nos poucos corredores solenes da capital do Império, os que viram as primeiras exposições de 17/01/1840, no Hotel Pharoux, no Largo do Paço, quando se depararam com o requinte daquela modernidade: a fotografia.

Abaixo (lado esquerdo), cartão-postal da primeira metade do século XX, sobre o Jornal do Commercio. Lado direito: foto de Louis Compte, Rio de Janeiro (1840) – 1º DAGUERREÓTIPO tirado na América do Sul.


“É preciso ter visto a cousa com os seus próprios olhos para se fazer idéia da rapidez e do resultado da operação. Em menos de 9 minutos, o chafariz do Largo do Paço, a Praça do Peixe e todos os objetos circunstantes se achavam reproduzidos com tal fidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a cousa tinha sido feita pela mão da natureza, e quase sem a intervenção do artista” (trecho do Jornal do Commercio, de 17/01/1840).

O cronista do Jornal Diário registrou a facilidade com que era possível obter “a representação dos objetos de que se deseja conservar a imagem...”, e seguiu narrando as proezas do vistoso instrumento que em poucos nove minutos registrara o chafariz do Largo do Paço, a Praça do Peixe, o Mosteiro de São Bento, “... e todos os outros objetos circunstantes se acharam reproduzidos com tal fidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a cousa tinha sido feita pela própria mão da natureza, e quase sem intervenção do artista.”

Rio de Janeiro (1840) Autor desconhecido
Muito pouco se conhece até hoje, de amadores que naqueles primeiros anos teriam praticado a DAGUERREOTIPIA e os processos subsequentes aqui no Brasil. O Imperador, teria sido um dos primeiros brasileiros...

Em 21/01/1840, D. Pedro II (aos 14 anos de idade), entusiasmado com a nova invenção apresentada por Compte, encomenda um equipamento de DAGUERREOTIPIA em Paris. Em março de 1840, adquiriu um aparelho, comprando-o diretamente de Felicio Luzaghy, por 250 mil réis, possivelmente a primeira máquina desta arte em mãos brasileiras.

Tornou-se assim, o primeiro fotógrafo brasileiro com menos de 15 anos de idade! Mais tarde, já um grande colecionador e um verdadeiro mecenas dessa arte, atribuiu títulos e honrarias aos principais fotógrafos atuantes no país. Promoveu a arte fotográfica brasileira e difundiu a nova técnica por todo o país.

O maior e mais diversificado acervo de fotografia oitocentista constituído por um particular é, justamente, a coleção que foi reunida durante vários anos pelo Imperador D. Pedro II. Oficialmente, ele é considerado o primeiro deguerreotipista brasileiro; fazia imagens de paisagens e de pessoas.
Abaixo, Cartão telefônico emitido pela Telebrás com retrato de D.Pedro II (Quadro do museu Imperial de Petrópolis, Rio de Janeiro)


No mesmo ano, em 1840, o americano AUGUSTUS MORAND (1815-1862) produz as primeiras fotos da Família Real e do Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Foi possivelmente o primeiro fotógrafo a retratar o imperador Pedro II.

Em fins de 1842, montou um estúdio no salão 52, do segundo andar da casa nova do Hotel Pharoux, no largo do Paço, ainda que temporário e improvisado, foi provavelmente o primeiro estúdio de fotografia do Brasil.

A partir de maio de 1843, este mesmo salão seria ocupado por J. D. DAVIS, consolidando a vocação fotográfica do hotel que, por sua localização estratégica (situava-se diante do Paço Imperial), acabou recebendo diversos outros DAGUERREOTIPISTAS itinerantes que passaram pela Corte no mesmo período.

De retorno à sua cidade natal, nos Estados Unidos, Morand tornou-se em 1851, presidente da Associação da DAGUERREOTIPISTAS do Estado de Nova Iorque.

Mas, a divulgação da fotografia no Brasil, ficou restrita a poucos profissionais, a maioria dos quais estrangeiros que, aqui chegando, nela encontraram um novo e promissor meio de vida e por razões óbvias, procuravam guardar para si os “segredos” da nova arte...

Em 1842, a senhora HIPPOLYTE LAVENUE expôe daguerreótipos de sua autoria na Exposição Geral de Belas-Artes (na cidade do Rio de Janeiro), tornando-se assim a primeira mulher no mundo a expor fotografias num salão de arte, muitos anos antes que o processo começasse a ser exibido nos salões do Hemisfério Norte.

Em 1851, o Imperador atribui o título de “Photographo da Casa Imperial” aos retratistas LOUIS BUVELOT e PRAT. É a primeira vez que um soberano concede uma honraria a um fotógrafo! Entre 1851 a 1889, ele concedeu esse título a mais de duas dezenas de fotógrafos...

A partir da segunda metade do século XIX, imigrantes europeus trazem novas tecnologias ao país... Em 1853, começa a funcionar no Rio de Janeiro a primeira oficina de calótipo do país, dirigida por C. GUIMETE. O calótipo é o processo fotográfico que permite a reprodutibilidade – a obtenção de cópias das chapas.

A fotografia foi arrebatando interessados em todos os setores da vida daqueles anos “perdidos”... Os pintores, artistas do traço, aderiram ao movimento de que foi pioneiro o pintor alemão FRANCISCO NAPOLEÃO BAUTZ, chegado ao Brasil em 1839 e que logo em 1846 anunciava a sua adesão ao daquerreótipo, na loja que possuía na rua do Cano, 146 (atual rua Sete de Setembro, no Rio de Janeiro), cujo anúncio comercial possibilita reconhecermos a rápida evolução técnica e do equipamento que já permitia fosse cumprido seu papel em apenas um minuto.

Desde então passaram a surgir as oficinas que tiravam e vendiam retratos, em fumo e coloridos, e os professores de fotografia, e os especiais fotógrafos aos quais o Imperador permitia o uso das armas imperiais na fachada da oficina, como foi possível conhecer ali pela rua dos Latoeiros, depois rua de Gonçalves Dias, na capital.

W. R. Williams, Beauvelot, Duprat, Guilherme Telfer, os húngaros Birany e Kornis, e outros mais contribuíram para o conhecimento e evolução da técnica na Corte brasileira e o crescimento dos especialistas em fotografia...

Atualmente, o Arquivo Histórico reúne importantes documentos manuscritos e iconográficos referentes à nossa história e divididos em coleções, como a “Coleção Família Imperial”, compreendendo 1.445 documentos de diversas procedências, relacionados aos Imperadores D. Pedro I e D. Pedro II e respectivos familiares.

São gravuras e álbuns de fotografias com retratos da realeza e nobreza da época, vistas de cidades brasileiras e estrangeiras... Assim como documentos pessoais, como os exercícios de caligrafia de D. Pedro II, de correspondência entre membros da família imperial e outros, além de homenagens como poesias, sonetos, hinos ou músicas dedicados a membros da família.
Ateliê Fotográfico de 1870. Autor desconhecido...

__________________________________________________________________

Árvore Genealógica da Família Imperial Brasileira - Monarcas do Brasil



► D. João VI (1767-1826): Filho de D. Maria I, D. João VI assumiu o governo português em 1792, como Príncipe-Regente, em substituição à mãe. Vem para o Brasil em 1808, fugindo de tropas de Napoleão Bonaparte. Aqui realizou um governo dinâmico com a abertura dos portos brasileiros aos aliados, instituiu o Banco do Brasil, a imprensa Régia, bibliotecas, museus, universidades e elevou o Brasil à categoria de Reino Unido ao de Portugal e Algarves.

► D. Pedro I ou Pedro IV de Portugal (1798–1834), primeiro Imperador do Brasil e Rei de Portugal, nasceu em Lisboa. Veio para o Brasil, junto a corte de seu pai, D. João VI, em 1807, e aqui ficou, quando a família real regressou para Portugal. Em 07/09/1822, às margens do Ipiranga, em São Paulo, proclama a Independência. Anos antes, teve a filha que se tornou Dona Maria II, rainha de Portugal.

► D. Leopoldina (1797–1826): Carolina Josefa Leopoldina, arqueduquesa da Áustria, filha do Imperador Francisco I da Áustria e da Imperatriz Maria Tereza, nasceu em Viena. Casou com o Príncipe Real D. Pedro de Alcântara em 1817, tornando-se a primeira Imperatriz do Brasil.

► Dom Pedro II (1825-1891), segundo e último Imperador Brasileiro

Pedro II, chamado “O Magnânimo”, nasceu em 02/12/1825 (Paço de São Cristóvão, Rio de Janeiro) e morreu em 05/12/1891 (Paris, França). Ele foi o segundo e último Imperador do Brasil.

Quanto tinha cinco anos de idade, ele tornou-se o Imperador do Brasil de seu pai Pedro I que abdicou de seu trono em 07/04/1831 para lutar na guerra civil em Portugal. O objetivo dessa guerra foi restaurar o trono à Maria II, irmã mais velha de Pedro.

Seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo, pela Graça de Deus e Aclamação Unânime do Povo, Imperador Constitutional e Defensor Pérpetuo do Brasil.

D. Pedro II foi o sétimo filho de Dom Pedro I e da arquiduquesa Dona Leopoldina de Áustria. Sucedeu seu pai, que abdicou em seu favor para retomar a coroa de Portugal, à qual renunciara em nome da filha mais velha, D. Maria da Glória.

Pelo lado paterno, era sobrinho de Miguel I de Portugal, enquanto, pelo lado materno, primo dos imperadores Napoleão III da França, Francisco José I da Áustria e Maximiliano I do México. Sendo o irmão mais novo de D. Maria da Glória, também fora tio dos reis de Portugal D. Pedro V e D. Luís I.

D. Pedro II, foi proclamado maior de idade aos 14 anos, em 23/06/1840 e coroado pelos regentes de então, Imperador do Brasil, em 18/07/1841. Aos 17 anos o governante colocou o Brasil na história da filatelia como o lançamento dos “Olhos-de-Boi”, em 1º de agosto de 1843, tornando o Brasil o primeiro país das Américas a emitir um selo postal. Aos 45 anos, em 1870, D. Pedro II já tinha a barba branca, maneira pela qual seria lembrado nos livros de história e que lhe dava a impressão de ser um sexagenário. Governou o país por quase 50 anos, até ser deposto pela Proclamação da República, em 1889.
Abaixo, 3 aspectos do Imperador D.Pedro II: Em pintura (no centro), em gravura de Modesto Brocos (lado direito) e em fotografia de autor desconhecido (lado direito)

Dom Pedro II casou-se em 04/09/1843 com a Princesa Teresa das Duas Cecílias (1822–1889), a filha mais jovem do rei Francis I das Duas Cecílias (1777– 1830), conhecida como D. Teresa Cristina, e tiveram 4 filhos:

1. Alfonso do Brasil (1874-1874)
2. Princesa Isabel ou Isabella (nesta página, mais abaixo)
3. Leopoldina do Brasil (1847-1871), quem casou com o príncipe Augusto de Saxe-Coburg- Gotha.
4. Pedro Alfonso do Brasil (1848-1850)
A Família de D.Pedro II, Imperador do Brasil - Da esquerda para à direita: Conde d'Eu (marido de Isabella), D.Pedro II, Tereza (sua esposa) e Isabella (sua filha).

Dom Pedro II foi aos Estados Unidos durante a Exposição de Filadélfia em 1876, quando Alexander Graham Bell o mostrou o telefone. Pedro II provavelmente foi o primeiro brasileiro a usar a invenção. Ele recitou a frase de Hamlet, um clássico de Shakespeare, “Ser ou não ser” (To be or not to be), e exclamou: “This thing speaks!”

Durante seu domínio, ocorreu a Abolição dos Escravos... Embora Pedro tenha sido popular em seu período, ele foi deposto em 15/11/1889 por um golpe de Estado e a família imperial foi exilada.

Ele morreu em 05/12/1891, em Paris, na França. His and his wife's remains were brought to Brazil em 1922, and were reinterred in Petrópolis, their former summer residence, em 1939. Monumento a Dom Pedro II na Catedral de Petrópolis.
Abaixo, (lado esquerdo) bloco emitido em 1991 (RHM: B-29), Sesquicentenário da Sagração e Centenário da morte de D.Pedro II. Do lado direito foto de 1888, feita por Francisco Pesce, quem tambem fotografou o Imperador.


► Princesa Isabel – Princesa Imperial Regente em 1871–1872, 1876–1877 e 1887–1888 (RHM: C-2005).

Princesa Isabel ou Isabella (Isabel Cristina Leopoldina Augusta Michaela Grabriela Gonzaga de Bragança d'Eu), quem casou com Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, conde d'Eu, filho de Louis Charles Philippe Raphael, duque de Nemours.

Filha de D. Pedro II e de D. Teresa Cristina, a Princesa Isabel nasceu em 29/07/1846. Torna-se herdeira do trono com a morte de seu irmão mais velho. Promove festas para angariar fundos destinados à causa da libertação dos escravos. Durante sua primeira regência, assina a Lei do Ventre Livre (07/03/1871), a qual determinava a libertação dos nascidos de mães escravas. Em 13/05/1888, na ausência de seu pai, ela assina a Lei Áurea, que extingue a escravidão no país... Nota: Sua história está ligada com a história do Zoo do RJ...
A pintura (lado esquerdo da tela) é uma reprodução do livro Museu Imperial, Banco Safra (Foto: Romulo Fialdini). As fotos ao lado mostram a Princesa Isabel, já com idade mais avançada.


Museu da República – Palácio do Catete
Rua do Catete, 153 – Catete – Rio de Janeiro (RJ) – CEP: 22220-000
museu@museudarepublica.org.br – www.museudarepublica.org.br

Durante muito tempo um tesouro ficou ignorado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Num processo pioneiro na América Latina, iniciaram-se os trabalhos de restauração e recuperação das 25.000 fotos da Coleção D. Thereza Christina Maria, reunidas pelo Imperador D. Pedro II.

Tal coleção abrange vasta gama de temas de interesse no século XIX. Por isso, além de refletir a personalidade e os interesses do Imperador, espelha a realidade nacional e internacional de seu tempo.

Como se sabe, o Monarca não circunscrevia à rotina administrativa dos assuntos de Estado. Dava, ele, muita importância ao estudo, à pesquisa e à troca de colaborações com centros de cultura da Europa, favorecendo as artes e as ciências. Assim, ele deu atenção especial à fotografia, que teria suas aplicações científicas, mas sobretudo se tornaria uma nova expressão artística.

Quando D. Pedro adquiriu sua câmera, tornou-se o primeiro brasileiro e possivelmente o primeiro monarca do mundo a tirar fotos. D. Pedro II investiu muito na construção de sua biblioteca particular. Mandava comprar tudo quanto o pudesse interessar, incluindo fotografias. Utilizava para isso até os serviços do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A maior parte desse acervo ficava em instalações especialmente construídas no último andar do Paço Imperial.

Partes de sua Biblioteca estavam ainda no Palácio da Quinta da Boa Vista e na sua residência de veraneio em Petrópolis. Nosso segundo Imperador também ganhava ou comprava fotografias em suas viagens, tanto nas que realizou pelo interior do Brasil como nas três que fez ao estrangeiro.

Encontram-se nessas fotografias, com frequência, dedicatórias ou anotações de seu próprio punho. Após o malfadado 15 de novembro o Imperador foi banido com sua família, pelo regime republicano. Chegado a Portugal, logo sua esposa faleceu. Partiu, então, para a França e encarregou um advogado de cuidar de seus interesses e bens aqui deixados.

Mas havia uma determinação do governo republicano de apropriar-se de sua Biblioteca. Além disso, alguns dos mais importantes nomes do regime eram anti-monarquistas convictos e coniventes com o roubo de obras da sua biblioteca, com a violação de sua correspondência pessoal, dificultando pois a localização e liberação dos objetos solicitados pelo Imperador.

Após tensas negociações o monarca, sempre tendo em vista o bem e a grandeza do Brasil, decidiu doar o acervo constituído por livros, publicações periódicas, mapas, partituras, desenhos, estampas, fotografias e outros documentos, à Biblioteca Nacional, ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e ao Museu Nacional.

A única exigência de D. Pedro II foi que as partes doadas às duas primeiras instituições mantivessem as suas respectivas unidades sob o nome da Imperatriz, “Coleção D. Thereza Christina Maria” e que a terceira parte, doada ao Museu Nacional, recebesse o nome de sua mãe, “Coleção Imperatriz D. Leopoldina”.

Coube à Biblioteca Nacional a maior parte desse acervo particular de D. Pedro II, constituindo-se assim na maior doação de toda a sua história. Estava incluída nele a parte mais considerável de suas fotografias, hoje a maior e mais abrangente coleção de documentos fotográficos brasileiros e estrangeiros existente numa instituição pública de nosso país.

domingo, 2 de maio de 2010

Projeto de lei brasileiro propõe redução de uso de Photoshop na mídia


Uma notícia para deixar de cabelos em pé atrizes como Fernanda Young ou "modelos-e-atrizes" do BBB: está em tramitação na Câmara dos Deputados um projeto de lei que obriga imagens tratadas com Photoshop a virem com a advertência "Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada".

O projeto será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Defesa do Consumidor; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Projeto de Lei 6853/10, do deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), dirige-se inicialmente apenas a imagens publicitárias, o que eliminaria, por exemplo, os "banhos de Photoshop" que revistas masculinas promovem nas fotos de suas modelos nuas.

O projeto prevê multa de R$ 50 mil para quem desobedecer a lei. Wladimir Costa, autor do projeto, é um cantor de música brega e radialista sensacionalista paraense que, durante a campanha eleitoral, subia só de cuecas em trios elétricos para chamar a atenção para sua candidatura.

Segundo ele, o objetivo da proposta é acabar com a "idealização" do corpo humano. Projetos semelhantes também já estão em discussão na França e na Inglaterra. Ambos propõem que os anúncios sejam mais realistas e as imagens sofram menos intervenções do Photoshop.

ANOS 60

No período dos anos 60, desenvolve-se um grande intercâmbio entre o trabalho de fotógrafos e artistas plásticos. Muitos fotógrafos usam técnicas manuais de manipulação de imagens, como retoques e pinturas de negativos e de cópias.
Os pintores, por sua vez, imitam a visão fotográfica (figurativa) e introduzem fotos em suas obras, por meio de colagem ou reprodução em silkscreen, como ocorre na pop art, nos trabalhos dos norte-americanos ANDY WARHOL e JAMES ROSENQUIST.
A fotografia também é bastante utilizada pela arte conceitual, como meio para a expressão de um conceito...
Com seu jornal Última Hora (1951-1971), Samuel Wainer revolucionou a moderna imprensa brasileira. “Um jornal vibrante, uma arma do povo”, como era conhecida essa publicação de cunho nitidamente popular e populista, tinha como padrinho o Presidente Getúlio Vargas e incluía, entre outros colunistas, Chacrinha, Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) e Nelson Rodrigues (“A vida como ela é”).
O acervo fotográfico do Última Hora do Rio de Janeiro, de mais de 160 mil fotos e 200 mil negativos, encontra-se hoje consultável no Arquivo do Estado (SP) e compõe uma inestimável história diária do Brasil das décadas de 50 e 60.
Em dezembro de 19.. foi lançado o primeiro livro da “Coleção Arquivo em Imagens Série Última Hora”, que mostra um panorama do conteúdo do acervo. Neste ano, ainda serão lançados volumes sobre futebol e ilustrações no UH. A dimensão desse acervo é rara dado o mau hábito que tinham certos órgãos da imprensa brasileira, até pouco tempo, de queimar seus próprios arquivos alegando, por exemplo, “falta de espaço”. (Pesquisa e produção: Silvana Jeha)
SAMUEL WAINER vê rodar a primeira edição do Última Hora (06/1951).




PAULO FRANCIS (11/1952), foto by: ERNESTO.


A foto abaixo (lado esquerdo da tela), mostra ASSIS CHATEAUBRIAND na cadeira de rodas; Carlos Lacerda é o segundo à direita (abril de 1964). Do lado direito da tela, a foto retrata o “crime da mala” – Isabel, servente assassinada e colocada em pedaços dentro de uma mala em um terreno baldio, em janeiro de 1969. Ambas as fotos são de J. Marques.





Edson Luís, o estudante morto pela Polícia Militar durante confronto com estudantes em São Paulo. Foto: SOARES E MEIRA (03/1968).

A Documentação Iconográfica do Arquivo do Estado de São Paulo possui um grande volume de documentação iconográfica ainda pouco conhecida. Em seu acervo, reúne cerca de um milhão de imagens, entre negativos, cópias fotográficas, postais, caricaturas e ilustrações.

O Setor Iconográfico define-se, estruturalmente, pelo tratamento dado à documentação não-textual. Ele é o responsável pela organização, guarda e disseminação da informação contida nesse gênero de documentos.

ARQUIVO: “ÚLTIMA HORA”

Constituído pelo arquivo fotográfico do jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, fundado pelo jornalista Samuel Wainer. O jornal surgiu em julho de 1951 na capital carioca e em poucos anos inaugurou edições regionais em diversas cidades brasileiras. Em São Paulo, apareceu em 1952.

Última Hora é considerado um dos marcos da imprensa brasileira, pela inovação gráfica de suas páginas e o conteúdo de apelo popular. Wainer vendeu a edição carioca em 1971 para a Arca Editorial e a edição paulista para a Folha de São Paulo.

O arquivo do jornal estava sob guarda de sua filha Pinky Wainer até 1989, quando foi adquirido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e sua guarda e conservação confiadas ao Arquivo do Estado.

É composto por 170 mil cópias fotográficas, 2 mil caricaturas e 800 mil negativos, além de 246 volumes encadernados das edições paulista e carioca do jornal; 6 volumes da revista Diretrizes e 555 rolos de microfilmes do jornal, que foram depositadas na hemeroteca do Arquivo do Estado.

Conteúdo Genérico: este segmento de acervo é uma rica fonte para os mais diversos campos de estudo, compreendendo o período 1951-1971. No campo da política, permite o acesso a uma documentação bastante variada do quadro político, tanto em nível nacional quanto regional, durante os governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitchek, Jânio Quadros, João Goulart, Castelo Branco, Costa e Silva e Médici.

Para a história social, existe um farto material para pesquisas sobre comportamento, diferenças sociais, moda, hábitos e costumes, relações pessoais, papel feminino na sociedade, modo de vida nas cidades, violência e criminalidade e movimentos populares. O mesmo pode ser dito sobre a história das artes, do esporte, da literatura, da cultura popular, etc.

Formas de Acesso: as cópias fotográficas foram arranjadas conforme a organização dada pelo próprio arquivo do jornal. Existe um catálogo que permite o acesso do pesquisador aos grupos documentais que compõem este segmento do acervo. As ilustrações receberam catalogação individual e existe um catálogo onde foram aglutinadas as principais informações a respeito de seu conteúdo e produção.

Condições de acesso: as cópias fotográficas e as ilustrações podem ser consultadas na sede do Arquivo do Estado. Os negativos fotográficos encontram-se indisponíveis à consulta.

CURIOSIDADE: ÁLBUM DE RETRATOS

Álbum formado por uma série de 67 retratos pessoais, de origem desconhecida, do final do século XIX. A maior parte dessas fotos são em formato carte-de-visite, em voga na época. Permite a visualização de um quadro peculiar da época, pelas informações a respeito do vestuário, dos costumes, da concepção estética, da imagem da mulher e da criança. Para a história da fotografia, possibilita o levantamento dos principais fotógrafos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, entre os quais se destacam: F. VOTTSACK, A. RIZZO e J. CARVALHO.

Forma de acesso: a única forma de acesso é a consulta direta ao álbum.

FRANCISCO ASZMANN

Três irmãos de origem húngara têm o sobrenome mais requisitado para fotografar os casamentos dos ricos, chiques e famosos do Rio de Janeiro... Eles são a família Aszmann, que chegou ao Brasil em 1948, depois de perder tudo na II Guerra Mundial.

O pai, FRANCISCO ASZMANN, foi escritor, pintor e fotógrafo, e recebeu mais de 400 prêmios nos salões de fotoclubismo internacional. Acabou sendo o modelo inspirador para os filhos. Ao longo dos anos, o STÚDIO ASZMANN, criado em 1965 pelos irmãos FERENC, EGON e AKOS ASZMANN, utiliza com sucesso o conceito de fotografia de arte, herdado do patriarca da família – tornando-se referência para a elite carioca.

Um trabalho que rompeu divisas e leva a família Aszmann a fotografar também em Salvador, Brasília, Belo Horizonte e São Paulo. A carteira de clientes é seleta e recheada de gente famosa. Endereço: Travessa Angrense 14, Gr. 303 – Copacabana, Rio de Janeiro (aszmann@mandic.com.br).

“FOTOARTE” era uma revista dirigida por FRANCISCO ASZMANN (grande artista húngaro, brasileiro por opção), um dos maiores fotógrafos de sua época e um dos mais premiados no mundo!

Tirou a foto e pulou da ponte pela ribanceira de dez metros, na Hungria. A foto ficou anos esquecida, porque o boi da direita estava ligeiramente desfocado: um crime para os padrões estéticos daquela época. Mas em 1940, o conceito mudou e Aszmann pode ganhar todos o títulos com uma única foto.

Abaixo, a foto “BOIS”, uma das mais premiadas fotos do mundo publicada em 1940, de Francisco Azzmann. “Desejo fazer arte. Não só registrar fotograficamente aquilo que vejo, mas transmitir através da fotografia impressões e sentimentos vividos.”




FOTORREPORTAGEM

Nos anos de 1959/1960, houve a reforma gráfica do Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), definindo novos parâmetros para a utilização da fotografia na imprensa cotidiana no Brasil...

A década de 1960 caracteriza-se pelas transformações radicais adotadas na fotografia brasileira... É o auge da fotorreportagem no país, com o surgimento das revistas Realidade (1966), Bondinho e Veja (1968 – Editora Abril) e do Jornal da Tarde (1966).

A Realidade valoriza a fotografia em um projeto gráfico ousado e monta uma equipe de profissionais que fez escola no fotojornalismo brasileiro. Vale lembrar o importante papel de MAUREEN BISILLIAT (1931-) e DAVID DREW ZINGG (1923-) que fizeram fotos informativas e de grande qualidade estética.

Também CLAUDIA ANDUJAR, GEORGE LOVE, LUIGI MAMPRIN e WALTER FIRMO são autores de grandes ensaios. Destaca-se ainda o trabalho de LUÍS HUMBERTO, que consegue realizar fotos irônicas sobre a situação do Brasil sob regime militar apesar do controle da censura.

Veja também cria uma equipe arrojada que se destaca no fotojornalismo político em pleno regime militar e é responsável pelo esforço inicial pelo reconhecimento do crédito, do direito autoral e da função específica do editor de fotografia...

Em 1962/1963, os norte-americanos EMMETT LEITH e JURIS UPATNIEKS e o soviético YURI DENISYUK desenvolvem simultaneamente a HOLOGRAFIA, fotografia em três dimensões obtida por meio da exposição de um filme ou chapa à luz de raio laser refletida em um objeto...

KYOICHI SAWADA – tornou-se conhecido como fotógrafo jornalístico que trabalhou durante a guerra do Vietnã. Morreu trabalhando... Recebeu várias distinções internacionais, tais como o primeiro prêmio da World Press Photo e o prêmio Pulitzer pela fotografia Fuga para a liberdade, uma foto tirada na década de 60, na qual pessoas conseguiram fugir a um ataque à sua aldeia nadando para se salvar, falando da realidade da Guerra do Vietname.

Em 1964, nave americana obtém fotos muito próximas da superfície lunar... pouco tempo depois... a fotografia (abaixo) foi publicada pela revista LIFE, no ano de 1969, onde podemos observar o astronauta Amstrong pisando na lua (utilizaram-se filmes Kodak e uma câmera Hasselblad).




Em 1969, ALÉCIO DE ANDRADE ingressa na prestigiosa agência francesa MAGNUM, abrindo as portas do circuito internacional do foto-jornalismo para os brasileiros (foi seguido, na década de 80, por SEBASTIÃO SALGADO e MIGUEL RIO BRANCO).

Na foto de JOSÉ ANTONIO (abaixo), aparecem em pé quatro dos cantores mais conhecidos da Jovem Guarda: Eduardo Araújo, Wanderley Cardoso, Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Sentadas, Martinha e Wanderléa.

O movimento surge nos anos 60 e faz sucesso cantando em português grandes sucessos internacionais de rock’n’roll. O principal nome é Roberto Carlos, que também apresenta o programa Jovem Guarda, na TV Record.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hercules Florence

HÉRCULES FLORENCE (1804-1879)

A verdadeira história da fotografia no Brasil começa em 1832, quando HERCULE FLORENCE, residente na então pequenina Vila de São Carlos (atual cidade de Campinas – interior do Estado de São Paulo), realiza as primeiras imagens fotográficas no país...

O BRASIL NA ROTA DOS PIONEIROS
ANTOINE HERCULE ROMUALD FLORENCE

As fotos mostram Hércules Florence em épocas distintas: 1830? e 1875, respectivamente.




A França, sem dúvida, foi a mãe da fotografia. Mas não se pode definir precisamente o pai...

Hoje, graças ao trabalho incansável e obstinado do jornalista e professor BORIS KASSOY, um terceiro nome disputa a paternidade da fotografia: ANTOINE HERCULE ROMUALD FLORENCE, francês de nacionalidade, mas brasileiro de mulher (duas), filhos (20), netos, bisnetos e tataranetos.

KASSOY investiu, entre 1972 a 1976, em uma das mais ardorosas pesquisas e reconstituições de métodos, técnicas e processos já realizadas no Brasil para levar uma pessoa do anonimato ao pódio da história – HÉRCULES FLORENCE, como ficou internacionalmente conhecido a partir da publicação do livro de KASSOY: “1833: a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil” (editora Duas Cidades, 1980).

Em 1976, o historiador brasileiro BORIS KOSSOY divulga publicamente as experiências de HÉRCULES FLORENCE no III SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FOTOGRAFIA da PHOTOGRAPHIC HISTORICAL SOCIETY OF ROCHESTER (EUA), comprovando seu pioneirismo. Em 1980, KOSSOY publica ORIGENS E EXPANSÃO DA FOTOGRAFIA NO BRASIL, SÉCULO XIX, pela FUNARTE.

Alemão de Wollstein (Prússia), nasceu em 18/04/1774. Defendeu de maneira precoce, aos 23 anos de idade, tese sobre obstetrícia. Possuidor de um vasto conhecimento científico e experiente viajante por várias partes do mundo (desde o Havaí ao Japão), buscou na Rússia novos horizontes.

Através de um amigo físico russo, obteve a informação de que o Czar Alexandre I queria patrocinar expedições. Langsdorff não poupou esforços para atingir seus objetivos.

Foi para São Petersburgo, tornou-se membro da Academia de Ciências, mudou seu nome para Grigori Ivanovitch Langsdorff e, em 1812, foi nomeado cônsul-geral da Rússia no Brasil, tendo chegado ao Rio de Janeiro, em 1813.

O Barão Langsdorff morou no Rio alguns anos sem perder seu grande objetivo de vida: conhecer palmo a palmo este país fascinante em riquezas e biodiversidade.

Organizou a expedição com muita sabedoria e dinamismo. Era incansável e ativo e, suportava com alegria as privações e todas as incomodidades. Fascinado com a natureza exuberante, seus textos são verdadeiras declarações de amor ao Brasil.

Infelizmente, no último ano de expedição, Langsdorff perdeu completamente a razão e a memória devido às inúmeras vezes que contraiu malária. Voltou à Europa, vindo a falecer em 1852, na cidade de Freinburg (Freiburg) – Alemanha, sem nunca ter se recuperado.

EXPEDIÇÃO LANGSDORFF (entre 1821 e 1829)

Em meio ao pensamento positivista, foram organizadas muitas expedições de reconhecimento ao Novo e Novíssimo Mundo...

Essas viagens tinham propostas nobres, metas científicas e humanistas, diferente das anteriores que tinham como finalidade a descoberta de minérios e riquezas em geral para serem levadas à Europa ou expedições religiosas que buscavam catequizar o índios.

Naquela época, o Brasil rumava à Independência...

Comandada pelo naturalista alemão Georg Heinrich Von Langsdorff, consul da Rússia no Rio de Janeiro, teve apoio do governo russo e de autoridades brasileiras, entre elas, o estadista José Bonifácio Andrada e Silva. Iniciou em 1821 e durou oito anos.

Foram, ao todo, 39 pessoas, entre elas os pintores Hercules Florence e Adrian Taunay, o astrônomo Nestor Rubtsoz, o botânico Ludwig Ridel, o naturalista Wilhelm Freyreiss e uma equipe técnica de viagem incluindo escravos, guias, caçadores e remadores.

Nota: alguns narram que o barão contratou eficientes pesquisadores e grandes pintores como Hercules Florence que participou como segundo desenhista, retratando toda a viagem juntamente com Amado Adriano Taunay (Aimé-Adrien Taunay) e Johann Moritz Rugendas...

Em 1824, Langsdorff percorreu Minas Gerais, na primeira parte de sua expedição...

Em viagem pela província de São Paulo, em 1825, Langsdorff inicia a organização de uma outra expedição, conhecendo em Itu o Dr. Engler; este lhe sugeriu realizar a viagem pelo rio Tietê, até Cuiabá, informação esta confirmada por Hércules Florence. Ainda indicou algumas pessoas com as quais deveria manter contato, como Francisco Álvares de Machado e Vasconcellos, que muito auxiliou nos preparativos...

Resumindo, partiram da fazenda Mandioca no Rio de Janeiro, passaram por São Paulo (um vilarejo de 15 mil habitantes), navegando pelo Rio Tietê e Rio Paraná (SP), depois Rio Pardo, Rio Cuiabá (MT), rumo a Região Norte pelo Rio Arinos e Rio Juruena, atingindo o Rio Tapajós, Rio Amazonas até o Estado do Pará.

A Expedição Langsdorff partiu de Porto Feliz em 22/06/1826, visando atingir o rio Amazonas por via fluvial. Alcançou o porto de Cuiabá em 30/01/1827, mas a viagem só recomeçou em 5 de dezembro, em dois grupos...

O primeiro, com o barão e Florence, subiu o Tapajós e chegou a Santarém em 1º de julho de 1828. Nesse trajeto, o barão adoeceu gravemente, assim como muitos dos expedicionários, ficando mentalmente perturbado (a demência de Langsdorff se deveu a malária).

No segundo grupo, o primeiro desenhista Taunay sofreria pior sorte, morrendo afogado no rio Guaporé. A expedição só se reuniu em Belém, regressando de navio ao Rio de Janeiro, em 13/03/1829...

Todo o trajeto foi registrado sistematicamente nos Diários de Langsdorff, cujos originais estiveram perdidos por vários anos até serem localizados na Rússia... Até então, as informações sobre a Expedição tinham como base o diário publicado por Hércules Florence.

Em todo o caminho, foram muitas as dificuldades. Doenças tropicais (principalmente a malária) prejudicaram inclusive o próprio Langsdorff que, em 1828, perdeu a memória.

Mortes durante o trajeto, devido a perigos fluviais, problemas de incompatibilidade e dificuldades de relacionamento, sobretudo dificuldades financeiras no fim da provisão, transformaram a célebre expedição numa tragédia.

Financiada pelo governo russo, a “Expedição Langsdorff” foi uma das primeiras que registraram a flora, a fauna e a população indígena brasileira.

Dizem que pelos quatro Estados, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Pará, ele coletou 60 mil exemplares de plantas e enviou para São Petersburgo...

Apesar de todas as dificuldades, estes artistas realizaram inúmeros desenhos em aquarela sobre aves, mamíferos, peixes, plantas, paisagens e índios de nosso país...

A enorme coleção de duas mil páginas de anotações manuscritas, diários, e de registros iconográficos (300 desenhos) e cartográficos, foram dados como perdidos. Somente em 1930 foram encontrados nos porões do Museu do Jardim Botânico, em São Petersburgo.

Nota: parece que todo este acervo encontra-se, hoje, em São Petersburgo, na antiga União Soviética.

Hoje, a comunidade científica internacional é unânime em afirmar que esta foi uma das mais importantes expedições científicas que percorreram o interior do Brasil, no século XIX, de grande interesse para as ciências naturais como zoologia, botânica, mineralogia, geografia, metereologia e para as ciências humanas como sociologia, etnologia, linguística e economia.

Faz parte do acervo do mundo este trabalho heróico, minucioso e profundo destes desbravadores, destes homens cheios de coragem.

Com a criação da Associação Internacional de Estudos Langsdorff (AIEL), em 1990, houve o esforço para trazer cópia da documentação da expedição para o Brasil, que agora está disponível para consulta na Casa de Oswaldo Cruz, da FIOCRUZ, no Rio de Janeiro (RJ) e no Centro de Memória da Unicamp (CMU), em Campinas (SP).

Os Diários de Langsdorff, após anos de trabalho, foram publicados em três volumes, pela FIOCRUZ, com o apoio de diversas empresas. Com base nesta documentação, entre 1999-2000, foi refeita e filmada a Expedição para a Discovery Channel, em parceria com a Grifa Cinematográfica.

A refilmagem dessa Expedição contou com a participação da artista plástica Adriana Florence: http://members.tripod.com/CybelleF/Engler/cengler/langsdorff.htm#refilmagem

A artista plástica, Adriana Florence, é tetraneta de Hércules Florence, pintor e pesquisador na célebre Expedição Langsdorff. Além de retratar e catalogar nossa fauna, flora, costumes e economia, Hércules Florence é reconhecido como o “Pai da Fotografia”. Fone/Fax: (11) 3875-7360 (http://www.adrianaflorence.com.br/ – contato@adrianaflorence.com.br – aflorenc@uol.com.br).

Do lado esquerdo da tela: Tucháua – chefe Mundurukú em traje de festa – agosto de 1828, Santarém – aquarela (25 x 36cm), Hercule Florence. Do lado direito: Maloca dos Apiaká no rio Arinos – 1826, Hercule Florence.






Cartão-postal com retrato de G. V. Langsdorff... Do lado direito, retrato de Rugendas...




Abaixo, selo emitido pela Federação Russa em 23/06/1992 (Michel: 1822/28, Blb.250), com valor facial de 1 rublo, no tamanho 58 x 26 mm e picotagem 11 3/4, ele foi desenhado por Yu Levinovsky (clicando abre uma folhinha com 9 selos).

Este selo postal mostra o retrato do Barão Langsdorff (com seu nome em russo, o mesmo que Grigori Ivanovitch Glangsdorf) e o mapa da rota da Expedição Geográfica e Científica Langsdorff, ocorrida no Brasil entre 1822 a 1828.

O selo postal brasileiro (abaixo; Scott: 2366), com valor facial de Cr$ 3.000,00 compreende uma série emitida em 02/06/1992, para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro – ECO-92. Ele também mostra o retrato do Barão Langsdorff, Georg Heinrich von Langsdorff (1774-1852), e a rota da Expedição Geográfica e Científica no Brasil, ocorrida entre 1822 a 1828.

Nota: ambas imagens dos selos foram utilizadas pelo Grupo Positivo.

HERCULES FLORENCE

Hercule-Romuald Florence (Antoine Hercule Romuald Florence) nasceu em Nice (sul da França), em 1804, filho de um médico do exército de Napoleão. Uns dizem que com a ajuda do pai, pintor autodidata, estudou artes plásticas... Outros que sendo de uma família de artistas, tinha habilidade para as artes e para as ciências, e sempre manifestou grande interesse por viagens e expedições.

Segundo uma história, chegou ao Rio de Janeiro em 1824, a bordo de uma fragata francesa comandada pelo capitão Rosamel, que lhe consegue o primeiro emprego na loja de um amigo francês. Trabalhava na livraria e tipografia de Pierre Placher quando soube do anúncio do barão de Langsdorff, que procurava um desenhista para sua expedição. Foi contratado, também por seus conhecimentos em cartografia.

Segundo outra história, sua natureza inquieta e uma insistente falta de emprego o conduzem a um desconhecido Rio de Janeiro, onde chega em 1824 e passa um ano como modesto caixeiro de uma casa comercial e, depois, vendedor de livros. Através dos jornais, descobre a vinda do famoso naturalista russo, o barão Langsdorff, e é aceito como desenhista daquela que viria a ser uma das maiores e mais profícuas expedições científicas realizadas no Brasil dos séculos passados.

De qualquer forma, durante a expedição que percorreu o interior do Brasil de 1825 a 1829, Florence escreveu um diário minucioso com importantes registros etnográficos, informações sobre a fauna, flora, hábitos e costumes do século XIX.

Parte deste relato foi traduzida e publicada por Alfredo dÉscragnolle Taunay sob o título “Esboço da viagem feita pelo Sr. Langsdorff pelo interior do Brasil, de setembro de 1825 à março de 1829”.

Outra parte, com o título “De Porto Feliz à Cuiabá (1826-1827), Diário de viagem de um naturalista da expedição do Barão Langsdorff”, foi publicada em 1929, na Revista do Museu Paulista e, mais tarde, reeditada pela Editora Melhoramentos em 1941 e 1948, com o nome “Viagem fluvial do Tiête ao Amazonas, de 1825 a 1829”.

Um outro manuscrito sobre a expedição faz parte do acervo do arquivo da Academia de Ciências de São Petesburgo, Federação Russa.

A contribuição de FLORENCE à Ciência, às Artes e à História estava apenas começando...

Florence não se limitava a desenhar e escrever, fixou até mesmo a musicalidade do canto de nossas aves em sua pequena monografia da Zoofonia, pois antes da Fotografia, Florence estudou a Zoofonia (sons produzidos por animais; atualmente, estabelecida como Bioacústica).

Em 1829, com o fim da expedição, estabeleceu-se na vila de São Carlos (atual Campinas) e constituiu família.

Em 04/01/1830, a filha única de Álvares Machado, Maria Angélica Álvares Machado e Vasconcellos, tornou-se a primeira esposa de Hércules Florence. Este casamento foi registrado por Silva Leme, em sua Genealogia Paulistana, no Título Oliveiras, v. 8, p. 529, onde foi citado como Antonio Hercules Romualdo Florence.

Dedica-se então à pesquisa de um novo sistema de reprodução, quando inventa seu próprio meio de impressão, a POLYGRAFIE ou POLYGRAPHIA – sistema de impressão simultânea de todas as cores primárias. Assim, descobre a POLIGRAFIA – impressão semelhante a de um mimeógrafo.

FLORENCE gosta da ideia de procurar novos meios de reprodução e descobre isoladamente um processo de gravação através da luz, que batizou de FOTOGRAFIA (PHOTOGRAFIE), em Agosto de 1832 (três anos antes de DAGUERRE).

Habilidoso, contudo solitário, no ano de 1833, inventou uma câmera fotográfica rudimentar – utilizou uma chapa de vidro em uma câmera escura, cuja imagem era passada por contato para um papel sensibilizado –, descobrindo isoladamente a fotografia no Brasil.

Foi o primeiro a usar a técnica Matriz: negativo/positivo, empregado até hoje! Conforme seu diário, passou a usar urina, rica em amônia, como fixador...

Foi na casa (ou farmácia) de Dr. Carlos Engler que Florence soube da pesquisa, realizada, na França, por Daguerre, sobre o mesmo processo fotográfico (FLORENCE, 1999; PRADA, 2000), abandonando as pesquisas...

Trabalhou sem descanso no processo de fixação de imagens através da luz solar. Suas anotações e pesquisas são elementos relevantes para nos levar a crer que ele antecedeu Daguèrre na invenção da fotografia.

A anotação em seu diário é bem clara:

“A fotografia é a maravilha do século. Eu também já havia estabelecido os fundamentos, previsto esta arte em sua plenitude. Realizei-a antes do processo de Daguèrre, mas trabalhei no exílio. Imprimi por meio do sol sete anos antes de se falar em fotografia. Já tinha lhe dado este nome; entretanto, a Daguèrre todas as honras.”

Com o falecimento de Maria Angélica, em 1850, Florence casou-se com a alemã Carolina Krug, em 1854.

Hoje, com acerto, Hercules Florence é reconhecido como o pai da fotografia. Florence morreu em Campinas, em 27/03/1879

A ironia histórica (oculta por 140 anos) é que o processo era mais eficiente do que o de DAGUERRE... Autor de vários livros, entre os quais se destaca: “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829”, publicado em 1875.

Criou o vocábulo “PHOTOGRAPHIE” – definidor do processo de impressão de imagens pela ação da luz – seis anos antes do britânico JOHN HERSCHEL – considerado o primeiro a fazer menção à palavra...

Embora não conhecesse o trabalho de JOSEPH NICÈPHORE NIÉPCE, que fixou a primeira fotografia em 1826, Florence pesquisa a gravação de imagens pela ação da luz.

Tal processo, desenvolvido por ele aqui no Brasil, baseia-se no mesmo princípio estabelecido pelo inglês WILLIAM HENRY FOX TALBOT: a reprodutibilidade das chapas (negativo/positivo).

Em 1976, após 4 anos de pesquisas e estudos exaustivos sobre documentação já existente a respeito de Florence, o historiador BORIS KOSSOY conseguiu comprovar em Rochester Institute of Technology, nos Estados Unidos, as experiências pioneiras e as aplicações práticas realizadas em 1833 sobre a descoberta isolada da fotografia no Brasil.

Graças à essas comprovações, hoje, qualquer livro clássico e sério sobre história da fotografia inclui a figura de Hércules Florence como um dos grandes precursores da invenção da fotografia...

Nota: Em 14/08/1989 foi emitido o selo: Ano Internacional da Fotografia. RHM: C-1643. Scott: 2203. Michel: 2316. Valor facial: NCz$ 1,50. O selo mostra as 4 fases da fotografia... Aniversário de 150 da Fotografia. Niépce, Daguerre, Talbot, Bayard e Florence...

Para saber mais e fontes:

  • Em 2004, a família Florence comemorou o bicentenário de nascimento de Hercules Florence. Leia o discurso proferido naquela ocasião, disponível em: www.hercules200.hpg.ig.com.br/
  • FLORENCE, Francisco A. Hércules Florence faz duzentos anos. Usina de Letras (03/03/2004):
    www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=2388&cat=Discursos&vinda=S
  • SUGIMOTO, Luiz (sugimoto@reitoria.unicamp.br). Retrato do homem bicentenário. Jornal da Unicamp, Campinas, n. 241, 16 a 29 fev. 2004.
    www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/fevereiro2004/ju241pag12.html
  • Família Engler – Genealogia – Langsdorff e Carlos Engler
    Cybelle de Assumpção Fontes (página elogios, em 12/10/05)
    http://members.tripod.com/CybelleF/Engler/cengler/langsdorff.htm
  • O livro e o trabalho de KASSOY, incluindo a reprodução dos métodos registrados por Florence nos laboratórios do Rochester Institute of Technology, levaram ao reconhecimento internacional do pesquisador franco-brasileiro. Assim, até a França assimilou que a fotografia tem:

MÚLTIPLAS PATERNIDADES...

O professor e pesquisador de fotografia Boris Kossoy lançou, no dia 29/08/2001, a nova edição do livro “Fotografia & História”, pela Ateliê Editorial. A obra, que há muito tempo se achava esgotada, tornou-se referência obrigatória em toda a América Latina, sendo pioneira na abordagem teórica sobre o emprego da fotografia como fonte de pesquisas históricas e sociais. É de Boris Kossoy a comprovação da descoberta independente da fotografia no Brasil, pesquisa que rendeu ampla repercussão internacional.

Boris Kossoy nasceu em São Paulo, em 1943. Arquiteto e pesquisador, é mestre e doutor pela Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1977/79) e livre-docente pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (2000).

Em meados de 1960, Kossoy dividia seu tempo entre a prancheta de arquiteto e a câmera fotográfica. Naquela época abriu o seu primeiro estúdio profissional, dedicando-se principalmente ao retrato e à ilustração. Em paralelo, desenvolvia suas imagens de expressão pessoal: são desse período as criações da série “Viagem pelo Fantástico” (que daria início ao livro do mesmo nome).

Suas fotografias dessa fase encontram-se representadas nas coleções permanentes do Museum of Modern Art e no Metropolitan Museum of Art, ambos em Nova York, Biblioteca Nacional de Paris e Museu de Arte de São Paulo.

Autor, entre outros, do Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro (1833-1910) e de uma recente trilogia publicada pelo Ateliê Editorial, onde disserta sobre a “desmontagem da informação”, Boris Kossoy desenvolve extensa atividade como curador e conferencista. É um nome definitivo para a compreensão da história da fotografia no Brasil.



“Hommage a Escher”, by Boris Kossoy, São Paulo 2000.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

FOTOCLUBISMO

FOTOCLUBISMO
No dia 29 de abril de 1939 é fundado nas dependências do edifício Martinelli, na capital de São Paulo, o FOTO CLUBE BANDEIRANTE. Posteriormente, em 1945, muda seu nome para FOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE por seus trabalhos na área cinematográfica.
ERWIN VON DESSAUER – chileno que morreu no Brasil. Fez uma foto chamada “Junto à água”, em 1939.
O movimento Fotoclubista teve seu apogeu nas décadas de 40/60, com diversas manifestações, como: exposições, concursos, salões, mostras internacionais. Também, organizou por anos o Salão Internacional de Arte Fotográfica e duas Bienais P/B, em 1972, e a Colorida em 2003.
Na década de 40, o auge do fotoclubismo, movimento que reunia profissionais de diferentes áreas interessados na prática da fotografia como uma forma de expressão artística. Os primeiros fotoclubes surgem no início do século XX, mas é a partir dos anos 30 que passam a ter papel de destaque na formação e no aperfeiçoamento técnico dos fotógrafos brasileiros.
Os principais são o PHOTO CLUB BRASILEIRO (uma das principais agremiações do gênero, responsável pelo incremento da fotografia como meio de expressão pessoal), fundado no Rio de Janeiro, em 1923, e o já citado Foto Cine Clube Bandeirante, criado em São Paulo, cuja atuação é fundamental para o desenvolvimento da fotografia de autor no país.
Enquanto nos outros países já se contavam com muitas sociedades fotográficas, por exemplo: ROYAL PHOTOGRAPHIC SOC., Londres (1853), SOCIETÉ FRANÇAISE DE PHOTOGRAPHIE, Paris (1854), SOCIETÁ FOTOGRÁFICA SUBALPINA, de Turim (1889), aqui no Brasil, só no século seguinte...
A primeira de que se tem notícia positiva aconteceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1918, o primeiro foto clube brasileiro: o “PHOTO CLUB HELIOS”.

FOTOCLUBE On April 29, 1939 is founded on the premises of the building Martinelli, the capital of Sao Paulo, the PHOTO CLUB BANDEIRANTE. Later, in 1945, changed its name to PHOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE for his work in film. ERWIN VON Dessau - Chilean who died in Brazil. He made a picture called "On the water" in 1939. Fotoclube The movement had its heyday in the decades of 40/60, with several events, such as exhibitions, competitions, fairs and international exhibitions. Also, for years has organized the International Exhibition of Photographic Art Biennials and two P / B, in 1972, and Color in 2003. In the 40s, the heyday of fotoclube, movement that brought together professionals from different fields interested in the practice of photography as an art form. The first fotoclube arise at the beginning of the twentieth century, but from 30 years to start to play a role in training and technical improvement of Brazilian photographers. The main ones are the PHOTO CLUB BRASILEIRO (one of the main associations of the genre, for the increase of photography as a means of personal expression), founded in Rio de Janeiro in 1923, and cited Foto Cine Clube Bandeirante, established in Sao Paulo, whose performance is crucial to the development of photography copyright in the country. While other countries have already had many photographic companies, for example: ROYAL PHOTOGRAPHIC SOC., London (1853), Société Française de Photographie, Paris (1854), SOCIETE GALLERY SUBALPINA of Turin (1889), in Brazil, only the next century ... The first of which is positive news has happened in Porto Alegre, Rio Grande do Sul, in 1918, the first Brazilian club picture: the "PHOTO CLUB HELIOS.

HISTÓRIA DO FOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE (FCCB)
A fundação ocorreu em uma loja de artigos fotográficos, a “PHOTO-DOMINADORA”, que surgiu a idéia de organizar um clube fotográfico. A loja, de ANTÔNIO GOMES DE OLIVEIRA e LOURIVAL BASTOS CORDEIRO, também praticantes da fotografia, era palco freqüente de discussões acerca de equipamentos e materiais fotográficos, e de trocas de experiências entre fotógrafos e amadores.
Anteriormente, já havia ocorrido uma primeira tentativa de se formar um clube fotográfico em São Paulo. Foi no ano de 1926, e se chamou SOCIEDADE PAULISTA DE PHOTOGRAPHIA que, infelizmente, não resistiu por muito tempo.
Esta sociedade chegou a editar uma revista de boa qualidade, a SOMBRAS E LUZES, mas acabou em 1929, logo após sua primeira exposição pública. Ainda não havia ambiente para a “fotografia-arte”, poucos acreditavam nela e os críticos de arte não a admitiam como tal...
Somente 10 anos depois, destacados paulistanos voltaram a pensar em nova sociedade. Eles costumavam reunir-se na “Photo-Dominadora” – uma loja de artigos fotográficos na Rua São Bento, de propriedade de Antônio Gomes de Oliveira e Lourival Bastos Cordeiro, eles próprios adiantados praticantes da fotografia.
Um desses freqüentadores era José Medina, que pelas ondas da P.R.K.9 – Radio Difusora, mantinha um programa diário sobre fotografia – “Instantâneos no Ar” – no qual dava conselhos, anunciava as novidades, comentava as fotos enviadas por ouvintes e promovia concursos.
Nas reuniões vespertinas na “loja do Gomes”, esses aficionados mostravam e discutiam suas fotos e experiências, as câmaras, objetivas etc. Até que um dia, não se sabe de quem partiu a idéia, decidiram fundar um novo foto-clube. Abriram-se listas de adesões e ao atingir o número considerado mínimo necessário – 50 aderentes – convocou-se a Assembléia Geral de Fundação, para a noite de 28/04/1939, no salão do Portugal Clube, no Edifício Martinelli, gentilmente cedido.

HISTORY OF PHOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE (FCCB) It was founded on a photographic supply store, the "PHOTO-Domini" that the idea of organizing a club photo. The store, ANTONIO GOMES DE OLIVEIRA BASTOS CORDEIRO LOURIVAL and also practitioners of photography, was the site of frequent discussions about equipment and photographic materials, and exchange of experiences among photographers and amateurs. Previously, there had already been a first attempt to form a photographic club in Sao Paulo. The year was 1926, and was called Sociedade Paulista de PHOTOGRAPHIA that unfortunately did not survive for long. This company came to edit a magazine of good quality, shadows and lights, but ended in 1929, shortly after his first public exhibition. Although there was no environment for a "photo-art, few believed in it and the art critics do not admit as such ... Only 10 years later, São Paulo posted again think of the new company. They used to meet in the "Photo-Mistress" - a photographic supply store in St. Benedict Street, owned by Antonio Gomes de Oliveira and Bastos Cordeiro Lourival themselves early practitioners of photography. One of these patrons was Jose Medina, who waves the PRK9 - broadcasters, had a daily program on photography - "Instant Air" - which gave advice, announced the news, commenting on the photos sent by listeners and promoting the contest. The meetings each afternoon in the "store Gomes," these fans showed and discussed their experiences and photos, cameras, lenses etc.. Until one day, no one knows who started the idea, decided to found a new photo club. They opened up lists of accessions and to achieve the minimum number considered necessary - 50 members - convened to the General Foundation for the night of 28/04/1939, Portugal in the hall of the Club, the Building Martinelli, kindly.

Foto da fundação: 28 de abril de 1939 (Acervo Biblioteca FCCB).


Participaram da Assembleia 32 membros do clube, que assinaram a ata de fundação. Assim, com os estatutos aprovados, nasceu o Foto Clube Bandeirante. A sugestão do nome ficou por conta de JOSÉ DONATTI, alusão aos desbravadores do Brasil.
Compareceram e assinaram a ata de fundação: Antônio Gomes de Oliveira, José Donatti, Eugênio Fonseca Filho, Benedito Junqueira Duarte, José V. E. Yalenti, Alfredo Penteado Filho, Waldomiro Moretti, Luiz F. Lima, Victor Caccurri Jr., José Medina, Lourival Bastos Cordeiro, Jorge Backer, Eduardo de S. Thiago, Júlio S. Toledo, Joaquim R. Borges, Simon Kessel, José Louzada F. Amargo, Jorge Siqueira Silva, Francisco B. M. Ferreira, Edgar Flacquer, Antonio Ferrero, José A. Vergareche, João A. Giuzio, Mário Caccurri, Aldo Dacomo, Dyano Castanho, José M. Francisco, Waldomiro Ract, Gelmindo Poltronieri e Jorge Bittar.
E o clube iniciou suas atividades, instalando sua sede em três salas alugadas ali mesmo, no 22º andar do Edifício Martinelli, por 700$000 (setecentos mil réis) mensais. Para primeiro presidente do Clube, elegeu-se ALFREDO PENTEADO FILHO.
A primeira excursão fotográfica do Clube aconteceu em 09/07/1939, e foi à Guararema. Logo após, com as fotografias obtidas neste passeio, foi realizado o primeiro concurso interno, cujo vencedor foi RANDOLFO HOMEM DE MELLO.

Participated in the 32 Assembly members of the club, which signed the minutes of the foundation. Thus, with the statutes approved, was the Photo Club Bandeirante. The suggestion of the name was on account of Jose DONATTI, alluding to the pioneers of Brazil.Attended and signed the minutes of foundation: Antonio Gomes de Oliveira, José Donatti Eugenio Fonseca Filho, Benedito Duarte Junqueira, José V. E. Yalenti, Alfredo Penteado Filho, Waldomiro Moretti, Luiz F. Lima, Victor Caccurri Jr., Jose Medina, Lourival Bastos Cordeiro, George Backer, Edward S. Thiago, Julius S. Toledo, R. Joaquim Bennett, Simon Kessel, Joseph F. Louzada Bitter, Jorge Siqueira Silva, Francisco B. M. Ferreira, Edgar Flacquer, Antonio Ferrero, Joseph A. Vergareche, John A. Giuzio, Mario Caccurri, Aldo Dacom, Dyan Brown, Joseph M. Francisco, Waldomiro Ract, Gelmo Poltronieri and Jorge Bittar.And the club started its activities by installing its headquarters in three rented rooms there in the 22 th floor of Building Martinelli, for 700 $ 000 (seven hundred thousand reis) per month. For the first president of the Club, was elected ALFREDO PENTEADO SON.The first photographic tour of the Club held in 09.07.1939, and was the Guararema. Soon after, with the photographs taken on this tour, we performed the first internal competition, whose winner was RANDOLFO HOMEM DE MELLO.

Foto da Excursão à Guararema 1939 (Acervo Biblioteca FCCB).


Foram vencedores desse primeiro concurso: 1º lugar, Randolfo Homem de Mello (Pereiras); 2º lugar, Lourival Bastos Cordeiro (Faina Diária) e em 3º lugar, José V. E. Yalenti (Outono).
Mas logo veio a Segunda Guerra Mundial, e suas dificuldades acabaram por atingir o Foto Clube. O material fotográfico não chegava às prateleiras, já que havia grandes restrições à importação, e a prática da fotografia foi proibida em diversos lugares. Para resistir, o Clube teve que tomar algumas providências; uma delas foi a mudança da sede para um lugar menor, decisão tomada pelo Conselho de Fundadores, que à época assumiu a direção...
Em 02/1940 o clube transferiu-se para duas pequenas salas, à Rua São Bento, 357 – 1º andar, prédio em cujo pavimento térreo estava a loja Fotótica.
03/10/1942 – 1º SALÃO PAULISTA DE ARTE FOTOGRÁFICA
A realização do primeiro salão de fotografia se apresentou como uma saída para escapar da crise causada pela Segunda Guerra e, ao mesmo tempo, chamar a atenção da imprensa e dos interessados nesta arte. Foi assim que, a 3 de outubro de 1942, o Primeiro Salão Paulista de Arte Fotográfica foi inaugurado.
Were winners of this first contest: 1st place, Randolph Homem de Mello (Pear), 2nd place, Lourival Bastos Cordeiro (daily work) and in 3rd place, José V. E. Yalenti (autumn).But then came World War II, and their difficulties eventually reached the Photo Club. The photographic material did not reach the shelves, since there were major restrictions on imports, and practice of photography was prohibited in several places. To resist, the Club had to take some steps, one of which was to move the seats to a smaller place, a decision reached by the founders, who at that time took over ...In 02/1940 the club moved to two small rooms, at Rua São Bento, 357 - 1st floor, building on whose ground floor was the store Fotot.03/10/1942 - 1st PAULISTA HALL ART GALLERYThe completion of the first salon of photography is presented as a way to escape the crisis caused by World War and at the same time draw the attention of the press and interested in this art. And so, on 3 October 1942, the First São Paulo Salon of Photographic Art was inaugurated.

Abaixo , a fotografia histórica retrata o 1º Salão de 1942. Mais abaixo, a foto mostra entregas de diplomas do 1º Salão de 1942. Ambas compõem o acervo da Biblioteca FCCB.
Below, the historic photograph depicts the 1st Salon of 1942. Below, the photo shows delivery of diplomas of the 1st Salon of 1942. Both make up the Library FCCB.

A exposição ocorreu no “Salão Almeida Júnior”, da Galeria Prestes Maia, nos baixos do Viaduto do Chá, e teve o apoio da Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP), que colaborou com a impressão do seu catálogo. Apesar do nome, a mostra teve âmbito nacional; também fizeram parte dela, pela primeira vez no país, fotografias de estrangeiros, em uma seção chamada “Boa Vizinhança”.
Estas fotos, que estavam fora de concurso, eram de convidados argentinos, dos Foto Clubes de Concórdia e de Rosário. Este primeiro salão serviu para reafirmar o nome do Foto Clube, pois teve uma ótima repercussão na imprensa. No fim deste ano foi eleito para a presidência Eduardo Salvatore, cuja gestão teve início em janeiro de 1943.
The exhibition took place in "Hall Adams Jr.," Gallery of Prestes Maia, low in the Viaduct do Cha, and had the support of the Municipality of São Paulo (PMSP), which collaborated with the impression of your catalog. Despite the name, the show was national, were also part of it, for the first time in the country, photos of foreigners, in a section called "Good Neighbor".These photos, which were out of competition, were invited Argentina, the Photo Club of Concord and Rosario. This first room served to reaffirm the name of the Photo Club, because he had a great response in the press. Later this year was elected chairman Eduardo Salvatore, whose administration began in January 1943.

Excursão do Foto Clube Bandeirante para Ribeirão Pires, em 1942.

Salvatore incentivou as atividades internas e a participação dos membros do clube nos Salões Internacionais, que renderam diversos prêmios aos “bandeirantes”. No Segundo Salão, em novembro de 1943, uma novidade: pela primeira vez, abriu-se um lugar para os fotógrafos da imprensa, filiados da Associação Paulista de Imprensa. Estes fotógrafos puderam mostrar seus trabalhos no “Estande Dr. José Maria Lisboa”.
Em novembro de 1944 ocorreu o 3º Salão, já com âmbito internacional, com oito países participantes, entre eles os Estados Unidos da América do Norte e a Inglaterra. Dai por diante, o Salão seria sempre internacional. Já no ano de 1945, com a entrada de um grupo de cineastas amadores, criou-se o Departamento de Cinema, com a direção de Jean Jurre Roos.
O clube mudou seu nome para Foto Cine Clube Bandeirante, e teve que pensar em mudar de sede, já que a antiga ficou pequena. Assim, em 1949 ocorre a mudança para sede própria. Isto propiciou a criação dos primeiros cursos de fotografia e cinema do país...
Salvatore encouraged internal activities and participation of club members at the Salons International, which earned several awards for "pioneers". In the second room in November 1943, a novelty: for the first time, opened a place for press photographers, affiliated to the Associação Paulista de Imprensa. These photographers were able to show their work in "Stand José Maria Lisboa".In November 1944 was the 3rd room, already with international scope, with eight participating countries, including the United States of North America and England. Thereafter, the Hall would always be international. As early as 1945, with the entry of a group of amateur filmmakers, created the Department of Cinema, with the direction of Jean Jurre Roos.The club changed its name to the Foto Cine Clube Bandeirante, and had to think about changing the seat, since the former was small. Thus, in 1949 is moving to its own headquarters. This enabled the creation of the first courses in photography and cinema in the country ...



Antes e Depois do Bandeirante
Evidentemente, todas essas realizações granjearam grande prestígio para o Foto Cine Clube Bandeirante. Seu maior renome adveio, porém, das novas concepções que trouxe para a fotografia artística brasileira, sendo equiparado aos grandes grupos fotográficos renovadores de outros, como por exemplo o “FOTOFORM”, na Alemanha; o “BUSSOLA”, na Itália; o “GRUPO DOS XV”, na França; o “LA VENTANA”, no México.
Com efeito, ao ser fundado o Foto Cine Clube Bandeirante, em 1939, na fotografia brasileira, como aliás, na grande maioria das sociedades fotográficas, salões e exposições de todo o mundo, ainda prevaleciam os conceitos clássicos e os processos denominados “artísticos”, como o bromóleo, goma-bicromatada, carbro etc.
Era o “pictorialismo”, grandemente influenciado pela pintura acadêmica: as paisagens em meio tons, suaves; a natureza morta; os retratos de “velhos barbudos” que tinha seu grande arauto na “Photographic Societ of América – PSA” e no Brasil, o Foto Clube Brasileiro, com JOÃO NOGUEIRA BORGES, HERMINIA NOGUEIRA BORGES, GUERRA DUVAL, DJALMA GAUDIO, JAYME H. TÁVORA, BELLINI DE ANDRADE e outros.
Em São Paulo, no Bandeirante, eram expoentes dessa “escola”, entre outros, VALENCIO DE BARROS, HEITOR DE ASSIS PACHECO, CARLOS QUIRINO SIMÕES, ISMAEL ALBERTO DE SOUZA, GUILHERME MALFATTI, WALDOMIRO MORETTI, DOMINGOS BUSNELLI, CLAUDIO PUGLIESI, HENRI E. LAURENT, PLINIO S. MENDES.
Before and After Bandeirante Of course, all these achievements have earned great prestige for the Foto Cine Clube Bandeirante. His greatest fame stemmed, however, new concepts that brought the Brazilian artistic photography, being treated to large groups of other photographic innovators, such as "Fotoforma" in Germany, the "compass" in Italy, the "group THE XV ", in France, the La Ventana, Mexico. Indeed, to be founded Foto Cine Clube Bandeirante in 1939, the Brazilian photography, as indeed in most societies, photographic salons and exhibitions around the world, still prevailed the classical concepts and processes as "artistic" as bromóleo, gum bi-chromate, etc. Carbras. It was the "pictorial" greatly influenced by the academic painting: the landscape in the middle tones, soft, still life, portraits of "old bearded men" who had his great herald in "Photographic Societ of America - PSA and Brazil, the Photo Club Brasileiro, with JOÃO NOGUEIRA BORGES, HERMINIA NOGUEIRA BORGES, WAR DUVAL, DJALMA GAUDIO, JAYME H. TÁVORA, BELLINI de Andrade and others. In Sao Paulo, the Bandeirante, were exponents of this "school", among others, VALENCIO DE BARROS, HEITOR DE ASSIS PACHECO, Carlos Quirino Simões, ISMAEL ALBERTO DE SOUZA, WILLIAM MALFATTI, WALDOMIRO MORETTI, SUNDAYS BUSNELLI, CLAUDIO PUGLIESI, HENRI E. LAURENT, S. PLINIO MENDES.

EXPOENTES DO FOTOCLUBISMO
O “Pictorialismo” fotográfico prevaleceu nos dois primeiros salões...
Mas, a partir do terceiro, em 1943, mais precisamente a partir de 1945 e nas décadas de 50/60, instigados por YALENTE, SALVATORE e BENEDITO J. DUARTE, os bandeirantes se lançaram à experimentação renovadora e modernizadora.
A pesquisa, o estudo e o aproveitamento dos efeitos de luz, desde a luz lateral, os seus contrastes e o contra-luz total, levaram a uma sintetização e simplificação cada vez mais acentuada das linhas e formas geométricas.
É a fase da “fotografia arquitetônica” (José Yalenti, Thomaz Farkas, Benedito Junqueira Duarte, Gertudes Altschull, Eduardo Salvatore e Chico Albuquerque - ambos abaixo) explorando as linhas, os planos, os detalhes dos modernos edifícios e que, através de processos como o “alto contraste”, a “solarização” e o uso do papel brilhante (antes banido das exposições fotográficas) logo evoluiu...
Exponent of FOTOCLUBEThe "Pictorialism" photographic prevailed in the first two rooms ...But from the third, in 1943, more precisely from 1945 and the decades of 50/60, instigated by YALENTE, and SALVATORE J. BENEDITO DUARTE, the pioneers took to the trial renovating and modernizing.The research, study and use of light effects from the light side, its contrasts and backlight total, led to a synthetic and simple increasingly sharp lines and geometric shapes.It is the stage of "architectural photography" (José Yalenti, Thomaz Farkas, Benedito Duarte Junqueira, Gertudes Altschull, Eduardo Chico and Salvatore Albuquerque - both below) exploring the routes, plans, details of modern buildings and, through processes such as the "high contrast", the "solarization" and the use of glossy paper (previously banned from photographic exhibitions) and evolved ...

Eduardo Salvatore nasceu em São Paulo (1915-2007). Abaixo , uma foto de sua autoria datada de 1948. Mais abaixo, uma foto de Chico Albuquerque ou Francisco Albuquerque (Acervo Biblioteca FCCB) quem, em 1948, fez a primeira campanha publicitária fotográfica no país...
Eduardo Salvatore was born in Sao Paulo (1915-2007). Below, a photo of the author dated 1948. Below, a photo of Chico Francisco or Albuquerque Albuquerque (Collection FCCB's) who, in 1948, made the first ad campaign gallery in the country ...

... Evoluiu para o “abstracionismo”, o “concretismo” o “grafismo”, com Marcel Giró, Geraldo de Barros, Rubens Teixeira Scavone, Ademar Manarini, Willian Brigato, Emil Issa, entre outros.
De outro lado, porém, o “surrealismo” com Roberto Yoshida (o mestre do “table-top” e da fotomontagem), German Lorca, Moacir Moreira, Alfio Trovato e também Gertudes Altschull (perita na “separação de tons” e na solarização)...
... Evolved into the "abstraction", the "concreteness" the "form", with Marcel Giro, Geraldo de Barros, Rubens Teixeira Scavone, Ademar Manarini, William Brigato, Emil Issa, among others.On the other hand, however, the "surrealism" with Roberto Yoshida (the master of "table-top" and the collage), German Lorca, Moacir Moreira, Alfio Trovato and also Gertudes Altschull (expert in "separation of tones and solarization ) ...

Marcel Giró (1956).
Roberto Yoshida (1959).

A fotografia “Subjetiva” e o “néo-realismo” também tinham vez com IVO FERREIRA DA SILVA, DULCE CARNEIRO, JACOB POLACOW, KAZUO KAHAWARA, M. LAERT DIAS, CAMILO JOAN, NELSON PETERLINI...
O “movimento” se descongelava nas fotografias de RAUL CHAMA, ARNALDO MACHADO FLORENCE, JOÃO B. NAVE FILHO; o retrato e a figura humana ganhavam conotações “expressionistas” com ALDO DE SOUZA LIMA, TUFY KANJI, RAUL EITELBERG...
As cenas e os personagens anônimos da grande cidade tinham seus intérpretes nos flagrantes de JÚLIO AGOSTINELLI, EDUARDO AYROSA, ANTÔNIO DA SILVA VICTOR, JOÃO MINHARRO...
A própria paisagem e a natureza morta ganharam novos enfoques com CARLOS COMELLI, LUDOVICO MUNGIOLI, LUIS VACCARI, TAKASHI KUMAGAI, JOSÉ GALDÃO, GASPAR GASPARIAN...

The photograph "Subjective" and "neo-realism" also had time with IVO FERREIRA DA SILVA, DULCE RAM, POLACOW Jacob, KAZUO Kahawa, M. LAERTE DIAS, CAMILO JOAN, NELSON PETERLINI ...The "movement" to thaw in the photographs of RAUL FLAME, ARNOLD FLORENCE MACHADO, JOHN B. NAVE SON, the human figure and portrait earned connotations "expressionist" with ALDO DE SOUZA LIMA, Tufy KANJI, RAUL Eitelberg ...The scenes and characters of the anonymous big city had its interpreters in flagrant JÚLIO AGOSTINELLI, EDUARDO AYROSA, ANTONIO VICTOR DA SILVA, JOHN Minharro ...The very landscape and still life have gained new approaches with Carlos Comelli, LUDOVICO MUNGIOLI, LUIS VACCARI, TAKASHI KUMAGAI, JOSÉ GALDÃO, GASPAR Gasparian ...

“A Espera”, foto de Júlio Agostinelli.
“Trilhos”, foto de Takashi Kumagai

Gaspar Gasparian: 1950
Gaspar Gasparian 1956
E HERROS CAPPELLO revolucionaria a fotografia em cores com processos próprios e originais, alterando a seu bel prazer as cores originais dos objetos, solarizando os negativos em cores e fazendo fotografia colorida partindo de negativos branco e preto, numa primazia mundial...
Foram os anos da grande ruptura na fotografia nacional, buscando novas formas de expressão e uma linguagem mais específica para a fotografia, provocando até a conversão de renitentes acadêmicos como por exemplo, JOSÉ OITICICA FILHO, até então o artista-fotógrafo brasileiro mais premiado em certames fotográficos no país e no estrangeiro.
Com suas “recriações”, Oiticica veio engrossar a corrente abstracionista e concretista que teve no seu ápice em 1965, quando o Foto Cine Clube Bandeirante obteve da VIII Bienal de Arte Moderna a criação de uma sala especialmente dedicada à fotografia.
Todos esses “ismos” e os que os sucederam como o “supra-realismo”, a “arte-pop” etc, encontravam guardia e duelavam no Bandeirante através dos seus concursos internos, seminários, salões, artigos na revista Foto-Cine, tornando-o o grande foro de debates da fotografia brasileira.
Também no setor de cinema o clube revelou grandes cineastas, entre eles, BENEDITO J. DUARTE que se tornaria um nome internacional no documentário médico-ciêntifico; GERALDO JUNQUEIRA DE OLIVEIRA, THOMAZ J. FARKAS, CÉZAR YASBECK, ESTANISLAU SZAKOWSKI, ABRÃO BERMAN...
Com todo esse movimento, começaram, finalmente, a cair as barreiras que se opunham à fotografia artística; os críticos de arte passaram a olhá-la com maior atenção; os museus e as galerias de arte principiaram a se abrir para ela...
And HERRERA CAPPELLO revolutionize photography in color and unique processes of altering at pleasure the original colors of objects, Solarize negatives in color and making color photograph from negative black and white, a global primacy ... Were the years of major disruption in the national picture, looking for new ways of expression and more specific language for the photo, leading to the conversion of reluctant scholars such as Jose Oiticica Filho, until then the artist-photographer in Brazil's most prized contests cameras in the country and abroad. With his "recreations", Oiticica came to swell the current abstractionist and concrete was at its height in 1965, when the Foto Cine Clube Bandeirante obtained from the VIII Biennial of Modern Art to create a room specially dedicated to photography. All these "isms" and those who succeeded them as the "super-realism," "art-pop", etc., are saved in the Bandeirante and dueled through their internal competitions, seminars, lecture, journal articles in Photo-Cine, making it the great forum of discussion of Brazilian photography. Also in the movie business the club has shown great filmmakers, among them, Benedito J. DUARTE would become an international name in the documentary Medical Scientific; JUNQUEIRA GERALDO DE OLIVEIRA, J. THOMAZ FARKAS, CÉZAR Yasbeck, ESTANISLAU SZAKOWSKI, ABRÃO BERMAN ... With all this movement, began at last to drop the barriers that were opposed to artistic photography, art critics began to look at it more carefully, museums and art galleries began to open up to her ...
O Bandeirante instala os primeiros cursos de fotografia e cinema que se realizaram no país; promove os primeiros Festivais Nacionais e Internacionais de Cinema Amador; o Boletim Informativo (criado em 1946) na revista “Foto cine”; realiza exposições com renomados autores do país e do estrangeiro, seminários, debates, palestras etc.
Sob sua inspiração e orientação, vários outros foto-clubes se organizaram no interior do Estado e em outros Estados do Brasil. Em dezembro de 1950, promove a 1º Convenção Nacional de Arte Fotográfica, reunindo delegações de todos os foto-clubes então existentes. Presidiu o veterano Dr. João Nogueira Borges, Presidente – Perpétuo do Foto Clube Brasileiro.
Dentre outra inúmeras resoluções destinadas à maior divulgação e aperfeiçoamento da arte fotográfica, dessa convenção resultou a fundação da Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema, que passou a representar o Brasil na Federation Internationale de l’Art Photographique – FIAP.
Pouco antes, pela lei Estadual nº 839, de 14/111950, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo havia declarado o Foto Cine Clube Bandeirante “Entidade de Utilidade Pública”.
Com o correr dos anos, também a sede da Rua Avanhandava se tornou pequena. E, meados de 1970, repetindo o feito anterior, o clube adquiriu outra, maior e mais confortável, a sede a rua José Getúlio, 442, onde se prossegue em suas atividades.
Destacados artistas-fotógrafos e dirigentes de foto clubes estrangeiros que a visitaram, entre os quais o Dr. Maurice Van de Wyer, fundador e Presidente de Honra da Federacion Internationale de l’Art Photographique, a consideram-na uma das melhores e mais bem aparelhadas do mundo...
he Bandeirante installs the first courses in photography and film have taken place in the country, promoting the first National and International Festival of Amateur Film, the newsletter (established in 1946) in the magazine "Photo cine; organizes exhibitions with renowned authors of the country and abroad, seminars, debates, lectures, etc.. Under his inspiration and guidance, many other photo clubs organized within the state and other states of Brazil. In December 1950, promotes the 1st National Convention of Photographic Art, bringing together delegations from all photo-existing clubs. He chaired the veteran Dr. John Nelson Borges, President - Perpetual Photo Club of Sterling. Among numerous other resolutions for greater dissemination and improvement of photographic art, this agreement resulted in the founding of the Brazilian Confederation of Photography and Film, which now represent Brazil at the Federation Internationale de l'Art Photographique - FIAP. Earlier, the State Law No. 839 of 14/111950, the Legislative Assembly of the State of Sao Paulo had declared Foto Cine Clube Bandeirante "Entity of Public Utility. Over the years, also the headquarters of the Street Avanhandava became small. And in mid-1970, repeating the feat before, the club acquired another, larger and more comfortable, the seat of the street José Vargas, 442, where it continues in its activities. Featured artists, photographers and photo managers of foreign clubs who have visited, including Dr. Maurice Van de Wyer, founder and Honorary President of the Federacion Internationale de l'Art Photographique to consider it one of the best and well equipped the world ...

Na metade do século XX, a categoria fotográfica foi assumida, portanto ganha o direito de estar em um museu...
Graças à visão inovadora de seu diretor, PIETRO MARIA BARDI, o MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO ASSIS CHATEAUBRIAND (MASP), se firmará no decorrer do período como o principal espaço de valorização e de ensino sistemático da fotografia.
Dois profissionais egressos do FOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE, tornam-se os primeiros a realizar exposições individuais de fotografia num museu brasileiro de arte, foram expostos os trabalhos de Thomas Farkas (1948) e de Geraldo de Barros (1950).
Nesse período, ambos foram os responsáveis pela implantação do laboratório fotográfico do museu, também pelo programa de cursos de fotografia, que contribuíram na formação de diversos profissionais nos anos seguintes...
O Clube continua com suas atividades e, em abril de 2005, foi inaugurada a exposição coletiva “Espontaneidade Estética”, na qual eu participei; veja página de exposições!
FCCB – Um clássico em cursos no Brasil!Rua Augusta, 1.108 – São Paulo (SP)
E-mail: bandeirante@fotoclub.art.br – www.fotoclub.art.brJosé Luiz Pedro – Presidente do Foto Cine Clube Bandeirante
E-mail: jlpedrobr@yahoo.com.br – http://www.photocluber.blogspot.com/
In half of the twentieth century, the photographic category was assumed, therefore gains the right to be in a museum ...Thanks to the innovative vision of its director, Pietro Maria Bardi, the ART MUSEUM OF SAO PAULO Assis Chateaubriand (MASP) will be established during the period as the main area of recovery and systematic teaching of photography.Two graduates of the professional PHOTO CINE CLUBE BANDEIRANTE, become the first to perform solo exhibitions of photography in a Brazilian museum of art were exhibited the works of Thomas Farkas (1948) and Geraldo de Barros (1950).During this period, both were responsible for the implementation of the photographic laboratory of the museum, also the program of courses in photography, which helped in the training of professionals in the following ...The Club continues with its activities and, in April 2005, opened the group exhibition "Spontaneity Aesthetics," in which I participated, see page exhibition!
FCCB - A classic courses in Brazil!Rua Augusta, 1108 - São Paulo (SP)
E-mail: bandeirante@fotoclub.art.br - www.fotoclub.art.brJosé Luiz Pedro - President of Foto Cine Clube Bandeirante
E-mail: jlpedrobr@yahoo.com.br - http://www.photocluber.blogspot.com/
FOTO-CINE CLUBE GAÚCHO
Era 03/07/1951, um grupo composto por doze apaixonados pela fotografia estava disposto a criar um clube para as pessoas que, como eles, usavam a fotografia como forma de expressão.
Dessa maneira, em assembléia geral realizada no auditório do Correio do Povo, o FOTO-CINE CLUBE GAÚCHO foi fundado por JOSÉ ALBERTO JOÃO STELKENS, JORGE ALBERTO CASTRO DE FARIA, BRUNO REIMANN, NELSON FRANÇA FURTADO, ERNI BRUNO GUTTLER, ARNO ANTÔNIO RÜDIGER, JOSÉ MACHADO DE OLIVEIRA JÚNIOR, RICARDO HELMUTH BERGER, LUIZ CARLOS SERRANO, NESTOR IBRAHIM NADRUZ, ORTWIN SAUER, e PAULO DERLY STREHL.
Anteriormente, Porto Alegre já havia testemunhado a criação e dissolução do PHOTO CLUB HELIOS, um departamento da Sociedade de Ginástica da capital gaúcha, e um dos primeiros clubes de fotógrafos amadores do país. Na época da fundação do Foto-Cine Clube Gaúcho já existia a Associação dos Fotógrafos Profissionais do Rio Grande do Sul – AFPRGS.
Por ser voltada aos profissionais, a AFPRGS não contemplava os interesses dos fotógrafos amadores. Assim surgiu o Clube, como uma dissidência daquela Associação, criado para preencher as necessidades de quem não vivia da fotografia, mas se utilizava dela como um meio de manifestação artística.
De lá para cá, o Clube já formou mais de 4.000 alunos. A grande maioria de associados é composta por médicos, dentistas, engenheiros, arquitetos, que encaram a fotografia como um hobby levado a sério. Muitos fotógrafos que hoje atuam profissionalmente também tiveram suas primeiras lições nas dependências do Clube, como LUIZ ACHUTTI, RUY VARELLA, LUIZ ABREU, MYRA GONÇALVES, LÍGIA BIGNETTI, ANDRÉ CHASSOT, AMAURY FAUSTO.
O cinqüentenário do Foto-Cine Clube Gaúcho deve ser um momento de reflexão acerca da importância do clubismo como movimento. Porque sem dúvida, o clubismo teve um papel fundamental na difusão da fotografia e no seu reconhecimento como arte no Brasil.
O Foto-Cine Clube Bandeirante, por exemplo, colaborou fortemente para essa mudança de mentalidade. A Escola Paulista de Fotografia, que introduziu o modernismo na fotografia brasileira por volta da década de 50, causou uma ruptura, modificando a maneira de ver e compor a imagem.
Infelizmente, o clubismo atualmente não conta com muitos adeptos pelo Brasil. Talvez isso se deva à popularização das câmeras compactas, ou ao alto custo de materiais e equipamentos que dificultam a manutenção de um hobby tão oneroso para amadores...
PHOTO-CINE CLUB GAÚCHO
03/07/1951 It was a group composed of twelve love for photography was willing to create a club for people who, like them, they used photography as a form of expression. Thus, at a general meeting held in the auditorium of the Correio do Povo, the PHOTO-CINE CLUB GAÚCHO was founded by John STELKENS JOSÉ ALBERTO, ALBERTO JORGE DE CASTRO FARIA, BRUNO REIMANN, FRANCE FURTADO NELSON, ERNI BRUNO GUTTLER, ARNO RÜDIGER ANTONIO, JOSE MACHADO DE OLIVEIRA JR, RICARDO HELMUTH BERGER, LUIZ CARLOS SERRANO, NESTOR IBRAHIM Nadruz, Ortwin SAUER, and Paul DERLY STREHL. Previously, Porto Alegre had witnessed the creation and dissolution of the PHOTO CLUB HELIOS, a division of the Society of Gymnastics capital city, and one of the first clubs of amateur photographers in the country. At the time of the founding of Photo-Cine Clube Gaúcho existed the Association of Professional Photographers of Rio Grande do Sul - AFPRGS. Being directed to professionals, the AFPRGS did not address the interests of amateur photographers. Thus arose the Club, as an offshoot of that association, created to meet the needs of those who did not live photography, but it was used as a means of artistic expression. Since then, the Club has trained more than 4,000 students. The vast majority of associates is comprised of physicians, dentists, engineers, architects, who see photography as a hobby taken seriously. Many photographers who currently work professionally also had their first lessons on the premises of the Club, as LUIZ Achutti, VARELLA RUY LUIZ ABREU, MYRA GONÇALVES, LÍGIA BIGNETTI, ANDRÉ CHASSOT, AMAURY FAUSTO. The fiftieth anniversary of Photo-Cine Clube Gaúcho should be a moment of reflection about the importance of clubismo as movement. Because without a doubt, the clubismo played a key role in the spread of photography and its recognition as art in Brazil. The Photo-Cine Clube Bandeirante, for example, assisted in the change of mentality. The Paulista School of Photography, which introduced modernism in Brazilian photography in the decade of 50, caused a break by modifying the way to see and compose the image. Unfortunately, the clubismo currently does not have many fans in Brazil. This may be due to the popularization of compact cameras, or the high cost of materials and equipment that make it difficult to maintain such an expensive hobby for amateurs ...